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14/06/2011

Lancel’s new autumn collection... for dogs!




A few days ago there was a big fuss around Lancel shop in Roppongi. I thought it was a vernissage or a fashion show with some designers, models and the usual womanizers who show up in these situations. Wrong, wrong and wrong. Lancel was launching its new autumn – winter collection for… dogs. Colourful collars, brighty “clothes” and original bags were on the spot in this unexpected late spring event. It was quite crowded, not surprisingly, with more people than animals (which is a bit unfair given the expected targeted audience).

Rumours say that Vuitton is doing its upmost to catch the eyes for their new collection for horses but fashion designers are struggling about the new tendencies.


The new Lancel collars




17/05/2011


LECTURES IN HIROSHIMA


At the entrance of Hiroshima High School with the Vice-Principal. In the framework of Europe's Day, I came to this school to speak to 500 students about the European Union. The students were very interested, very well prepared and very active. After my lecture, we had a Q&A period of 30 minutes and we had to stop because I had to run to catch the train back to Tokyo. They wanted to know about the "freedoms", the common currency and the European Parliament. On the previous day, I had been to Hofu Commercial School (Yamaguchi Prefecture), where I spoke to another group of 480 students. Also here, I was amazed by the interest and commitment shown by Japanese students and teachers.








04/03/2011


O surrealismo em Tóquio



Tóquio é o exemplo daquilo que os franceses chamam o "embaraço da escolha": chega-se ao fim de semana e o problema é saber o que fazer quando a oferta é esmagadora. Há de tudo: exposições magníficas, concertos excepcionais, lojas novas, mercados e feiras para todos os gostos, festas sobre todos os temas.

O National Art Center é um dos meus espaços preferidos: não tem uma colecção fixa mas acolhe, permanentemente e em simultâneo, quatro ou cinco exposições do melhor que há no mundo de arte moderna/ contemporânea. Através da parceria com o Pompidou, trouxe agora para Tóquio uma exposição extraordinária sobre o surrealismo europeu. Começa com uma sala escura onde, no centro, está exposto o manifesto de 1924 de André Breton e depois continua com todos os nomes que se impõem: Max Ernst, Paul Delvaux (com quadros vindos do BOZAR, em Bruxelas), Juan Miró, Magritte, Picasso, M.Duchamp e mesmo o filme (que eu já tinha visto e de que não gosto) de Luis Buñuel, O Cão Andaluz. Passa-se em revista a história do surrealismo, com destaque para o salto trans-atlântico quando a Europa entrou em guerra. Nas obras expostas, percebe-se como e em que medida o surrealismo se transformou quando chegou a Nova Iorque a a Filadélfia.



Le Viol, Magritte

A exposição (fui no Domingo) estava a transbordar, com filas intermináveis e desesperantes. Mas tudo se passa na maior organização, sem atropelos e sem gritos: à entrada, para os incautos, fica feito o aviso. Abençoado povo.

25/02/2011

Tratado em que se contêm muito sucintamente e abreviadamente algumas contradições e diferenças de costumes entre a gente da Europa e desta província do Japão



Os quase 5 séculos de presença portuguesa no Japão são, em primeiro lugar, tributários dos jesuítas. Estes 500 anos são marcados por homens notabilíssimos que, sendo missionários, aqui aportaram trazendo a cruz numa mão e a fineza de espírito e o cosmopolitismo na outra. Esta semana, li um livro de um deles, Luís Fróis que, em 1585 conclui o Tratado em que se contêm muito sucintamente e abreviadamente algumas contradições e diferenças de costumes entre a gente da Europa e desta província do Japão.

Fróis nasceu em Lisboa em 1532 e chegou ao Japão em 1562, onde viveu até 1597, ano em que morreu em Nagasáqui. O livro, notável, que assinou durante a sua estada, foi reeditado em 2001 pelo Instituto Português do Oriente. Não pode ser lido, nos dias de hoje, como qualquer esboço de tipo antropológico mas é um documento precioso para compreendermos os homens de quinhentos: os de Portugal e os desta província do Japão, o modo como uns e outros se olhavam, as desconfianças mútuas e as ligações que se estabeleciam, quer as baseadas na compreensão, quer as da incompreensão.

O livro está dividido em 14 capítulos temáticos: os homens, as mulheres, as crianças, os religiosos, os templos, a comida, as armas, os cavalos, as doenças, a escrita, as casas, os barcos, os autos e os "extras". Ao longo de centenas de pontos, Fróis compara com detalhe os modos de europeus e "japões".

Alguns exemplos:

"Entre nós a gente lava o corpo em suas casas muito escondidos; em Japão homens e mulheres e bonzos em banhos públicos ou à noite às suas portas.

(...)

Em Europa ordinariamente as mulheres fazem de comer; em Japão o fazem os homens, e os fidalgos têm por primor ir fazê-lo à cozinha.

(...)

Onde as derradeiras folhas de nossos livros de acabam, ali começam os deles".

15/02/2011


Uma questão de gosto



Na aprendizagem do que aqui seja o "belo", é preciso percorrer muitas estradas, galgar muitos caminhos e calejar muitas vezes a mão até assimilar padrões que nos são pura e simplesmente estranhos. O exercício é difícil mas fascinante.

Fascinante é também perceber que, em certos meios, o cúmulo de uma pretensa sofisticação é a reprodução mimética de um certo padrão interiorizado como sendo "europeu" e depois exacerbado para lá do que os próprios europeus poderiam conceber nos seus momentos mais arrojados. Aquilo que na Europa seria visto como gosto duvidoso por certos círculos, pode ser aqui apreciadíssimo justamente porque importa um padrão distinto e essa assimilação da alteridade, é um sinal de abertura do mundo.

Isto não é fácil para um "gaijin" (estrangeiro), sobretudo (ver foto em baixo) quando tem de estar sentado num sofá forrado a alcatifa durante duas horas...

08/02/2011


Oh Gosh...



... so in case of emergency, what do I have to do exactly...?

31/01/2011


Abertura da Sessão Legislativa na Dieta



Estive a semana passada na Dieta para a cerimónia de abertura da 177ª Sessão da Dieta (o parlamento japonês). Uma cerimónia impressionante que leva a rigor um ritual performativo pensado ao segundo e onde, salvo os partidos da extrema-esquerda, se sente interiorizado o respeito por um conceito de soberania que passa, quase exclusivamente, pela figura do Imperador ("a soberania una e indivisível que reside no povo" é invenção das cabeças não decapitadas na comuna de Paris...).

Sentado nas galerias, onde estão os convidados, não deixa o visitante de se impressionar - e muito - com a imagem de ver 480 deputados e uma vintena de governantes vestidos a rigor (eles de fraque; elas de quimono) que, ao soar da batida, se levantam e se inclinam naquela vénia vincadíssima que se reserva para o Chefe de Estado. O Imperador Akihito entra na grande sala da Câmara dos Representantes e, passos pequenos, dirige-se para o trono imperial perante meio milhar de súbditos que não mexem um músculo perante alguém que, há pouco mais de 60 anos, se cria que tinha um poder directamente transmitido por deus.

A cerimónia dura exactamente 7 minutos: um minuto de vénias; dois minutos de discurso do speaker; três minutos de discurso do Imperador e um minuto final de mais vénias e saída.

Durante aqueles minutos sagrados da liturgia democrática, quase se ouve o palpitar dos corações presentes tal é o silêncio que só a oratória imperial e o disparar das máquinas fotográficas interrompe.

26/01/2011


Let's go to the movies!



Lessons to be learned: (i) there is such thing as "green-tea popcorn". Seat as far as possible from the eaters, it stinks. (ii) movies have to be choosen very carefully as a simple ticket costs 18 euros. (iii) when you buy the ticket, the girl says: 'the movie you have asked for finishes at 23:57. Is that ok?'. And if I had said 'no' ?

(the film was "The Social Network" - very disapointing)

03/01/2011

Aula de japonês ou curso de antropologia?




Um destes dias havia um artigo na imprensa sobre a dificuldade do japonês médio para falar línguas estrangeiras. O inglês é ensinado nas escolas mas é evidente que há uma dificuldade em usá-lo na prática quotidiana. O autor desse artigo, professor e pedagogo com experiência de ensino no Japão, explicava que, mesmo sabendo as regras gramaticais, o aluno médio japonês enfrenta uma enorme barreira para chegar a ter uma competência discursiva. Talvez isso se explique porque as línguas indo-europeias têm uma lógica totalmente diversa, enfatizando a “palavra” (que corresponde a uma ideia), enquanto que aqui o ênfase é dado ao “conceito”, construído a partir de ideias desagregadas. Isso é representado por um “ideograma”, que não é uma “letra” mas uma “grafização” de uma ideia ou de um conceito. Vejamos um exemplo: “Japão” diz-se “Nippon”, o que se escreve assim em kanji: 日本. São dois kanjis: o primeiro - 日 – significa “sol” e o segundo - 本 – significa “origem, início” (mas também pode significar “livro” porque o livro é o “início do conhecimento”). "Japão", assim, é a origem do sol, ou seja, o país do sol nascente. Estudar japonês é um exercício terrível para um estrangeiro porque nós, pura e simplesmente, não pensamos assim, não sabemos pensar assim. Mas pode ser fascinante e além de ser uma aula de língua é também um curso de antropologia. Quando me sinto a desanimar, lembro-me dum canadiano anglófono que conheci outro dia, que aqui vive há 20 anos, professor universitário e fluente em japonês e que me disse: "You speak French, right? Listen: I learned French and Japanese and French is much more difficult". Si vous le dites monsieur le professeur...

30/12/2010


Uma saladinha de frutas para o réveillon...




Não sei o que faça para o jantar da passagem de ano - estou na dúvida se opto por uma caixa de 6 laranjas a 130 euros ou se 10 morangos brancos (brancos?!?) por 155 euros? Na dúvida, se calhar compro as duas caixas e faço uma saladinha de frutas... Alguém quer dar uma sugestão?

28/12/2010

O grande mistério da unheca


O que me intriga nesta moda de as senhoras arranjarem as unhas para lá do expectável, não é a questão estética, nem o tempo que devem passar na manicure: o que me intriga mesmo é como é que as unhas assim são compatíveis como uma vida em paralelo que implique conduzir um carro, ter uma vida sexual ou teclar num computador...

07/12/2010


MOMENTO MARY POPPINS


Em frente à estação de metro de Hanzomon, Tóquio, Novembro 2010.

30/11/2010

HOMENAGEM A... MIM!

Eles não sabem que eu não gosto de futebol mas valeu a boa intenção:

29/11/2010


A CARRUAGEM DAS "BABES"

Aquelas imagens que correm mundo de estações apinhadas de gente ao ponto de haver funcionários a empurrar a multidão para dentro das carruagens, foi coisa que nunca vi, pelo menos nas linhas de metro que uso. Mas é verdade que o metro de manhã vai bastante cheio. Por isso, existem carruagens só para senhoras, não vá dar-se o caso de serem incomodadas por algum cavalheiro menos contido.



Gosto especialmente do pormenor da moldura horária, nomeadamente das “07h19”. A essa hora, ainda não estou no metro mas pergunto-me se os utentes estarão de relógio em punho à espera do minuto feminino. De qualquer modo, posso garantir que mesmo depois das 9h30, tudo se passa no maior respeito. Nunca vi senhoras incomodadas pelos apertões.

27/11/2010


OLH'Ó KONAMI FRESQUINHO! (afinal existe e está no Japão!)

Não é ficção fedorenta, existe no Japão e dei de caras com o konami um destes dias:


22/11/2010

RELIGION IN JAPAN - the celebration of children


I will come again, at a later stage, to the topic of religion in Japan. For the time being, just a couple of photos about a nice celebration that took place a few days ago. Every year, in November, families take their children to the shrine. Every children? No. This celebration is called 3-5-7, because only children of these ages are presented in the shrine dressed in traditional kimonos. For a few hours, the neighbourhood was very colourful with all these kids, looking happy (but in same cases a bit scared...) and giving their parents the photo-opportunities they are always looking for.










18/11/2010

A country for all seasons – autumn colours in Tokyo


Unlike Europe, Japan still preserves different seasons, with different atmospheres and backgrounds and, above all, an amazing spectrum of natural colours offered by a generous nature. Here are some examples.



















09/11/2010


O Antero japonês




Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»

Antero de Quental, Divina Comédia


Saiu de casa ao raiar do dia, depois de uma noite de silêncio ensurdecedor, quem sabe de preces murmuradas musicalmente num altar improvisado com incenso. Apanhou o primeiro metro, que devia vir vazio, salpicado de gente adormecida, vinda lá de longe, onde a cidade se despede e abraça o campo. Trazia um quimono cinzento, de gente senhoril e escondia as intenções que o levaram ao parque. Ainda caminhou mais de duas horas antes de atravessar a pé a ponte grande, pórtico urbano sem medida. Junto ao rio Sumida, escolheu um banco limpo, inspirou o ardor das águas bravias desta manhã de Outono e junto ao castanheiro ainda adormecido, deu dois tiros na boca. O jornal não refere, se como no caso de Antero, existia atrás uma placa tímida a dizer "esperança".

06/11/2010

Lafcadio Hearn, estranheza e charme

"Ao primeiro encontro, a aparente estranheza das coisas no Japao produz (em certas mentes, pelo menos) um arrebatamento singular, impossível de descrever - uma sensação insólita que so nos aborda na percepção do que nos e totalmente desconhecido. Ficamos estupefactos ao descobrir que não conseguimos sequer conceber o uso e o significado das coisas expostas nas lojas. Produtos alimentícios de proveniências inimagináveis; utensílios com formas enigmáticas; emblemas incompreensiveis de alguma crença misteriosa; mascaras e brinquedos estranhos que evocam as lendas de deuses e demónios; e também imagens bizarras dos próprios deuses, com orelhas monstruosas e faces ridentes - tudo isto se aprende ao longo do mesmo passeio. Quando perceberes, ao fim de vinte anos, que és de todo incapaz de entender os japoneses, nessa altura terás começado a perceber alguma coisa deles."

Lafcadio Hearn, O Japao - uma antologia de escritos sobre o pais

Enviado do meu iPhone

30/10/2010

Tokyo in a stormy day



The sky falls into tears and everybody tries to escape the inclement typhoon Chaba that is visiting Tokyo today. Breakfast at Dean and Delluca (not at Tiffany's), The Daily Yomiuri bought at the corner-shop and a long cozy afternoon laying on the sofa. Tokyo can also be quite unpleasant outside. But indoors it is as good as we want it to be. Have you all a wonderful weekend.