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08/02/2011


Oh Gosh...



... so in case of emergency, what do I have to do exactly...?

13/01/2011


Japanglish

Existe aqui uma curiosa língua chamada “Japanglish” (como existe nos EUA, o “spanglish”), que é um cruzamento de japonês e inglês com umas traduções literais estranhíssimas. Pode não ser correcto (e não é) mas é divertido. E a verdade é que não obsta à comunicação (bom, às vezes…). Eis alguns exemplos:




03/01/2011

Aula de japonês ou curso de antropologia?




Um destes dias havia um artigo na imprensa sobre a dificuldade do japonês médio para falar línguas estrangeiras. O inglês é ensinado nas escolas mas é evidente que há uma dificuldade em usá-lo na prática quotidiana. O autor desse artigo, professor e pedagogo com experiência de ensino no Japão, explicava que, mesmo sabendo as regras gramaticais, o aluno médio japonês enfrenta uma enorme barreira para chegar a ter uma competência discursiva. Talvez isso se explique porque as línguas indo-europeias têm uma lógica totalmente diversa, enfatizando a “palavra” (que corresponde a uma ideia), enquanto que aqui o ênfase é dado ao “conceito”, construído a partir de ideias desagregadas. Isso é representado por um “ideograma”, que não é uma “letra” mas uma “grafização” de uma ideia ou de um conceito. Vejamos um exemplo: “Japão” diz-se “Nippon”, o que se escreve assim em kanji: 日本. São dois kanjis: o primeiro - 日 – significa “sol” e o segundo - 本 – significa “origem, início” (mas também pode significar “livro” porque o livro é o “início do conhecimento”). "Japão", assim, é a origem do sol, ou seja, o país do sol nascente. Estudar japonês é um exercício terrível para um estrangeiro porque nós, pura e simplesmente, não pensamos assim, não sabemos pensar assim. Mas pode ser fascinante e além de ser uma aula de língua é também um curso de antropologia. Quando me sinto a desanimar, lembro-me dum canadiano anglófono que conheci outro dia, que aqui vive há 20 anos, professor universitário e fluente em japonês e que me disse: "You speak French, right? Listen: I learned French and Japanese and French is much more difficult". Si vous le dites monsieur le professeur...

04/11/2010


(Tentar) comprar uma cortina de casa de banho em linguagem gestual japonesa



Depois de tentativas frustradas, entrei no D. Quixote (‘Donqui’), uma espécie de Braz & Braz para pior, com o público de um centro comercial de domingo à tarde misturado com as sacerdotisas do Intendente. Circulei no piso de artigos de casa de banho em vão. Estando mesmo determinado a comprar a cortina porque todas as manhãs inundo a casa de banho, decidi que o melhor era perguntar. Confesso que hesitei, já consciente que aqui a utilidade de falar inglês é semelhante à utilidade de falar swahili em Carrazeda de Ansiães. Dito e feito: a menina não percebia nada do que eu dizia. Chamou colegas de corredores vizinhos mas ninguém percebia o que eu queria. Possuído por uma vontade indomável, proporcional à água que, manhã cedo, espalho à minha volta, decidi passar ao não-verbal: em plena loja, mimei “duche”, “água a cair”, “banheira”, “cortina protectora”. Mesmo não sendo o Marcel Marceau, a mensagem terá passado sofrivelmente: as meninas riam-se muito e diziam qualquer coisa entre elas ao mesmo tempo que cortavam cerce as minhas veleidades mímicas. Voltei para casa a matutar como resolver esta lacuna comunicacional mas dilacerado por uma dúvida suplementar: será que não perceberam de todo a minha mímica ou, tendo percebido, acharam bizarria fetichista que eu queira tomar duche por detrás duma cortina?

(eleições americanas: estou feliz – e aliviado – pelos eleitores de Delaware...)

14/10/2010


Communication barriers, I mean Walls, I mean IRON WALLS

Nunca antes experimentei isto: do ponto de vista da comunicação, há uma barreira total entre mim e o mundo à volta. Eles não percebem o que eu digo e eu não percebo o que eles dizem. Não há pontes de comunicação, não há língua em comum, não há escapes não verbais que funcionem. Claro que, como todas, esta é uma barreira que, não se derrubando totalmente, se vai esfumando com o tempo: eu vou começar a aprender japonês e, por força do tempo aqui passado, há sinais que acabarei por captar. Por ora, fico apenas boquiaberto quando digo aos meus interlocutors que não percebo e, mesmo assim, continuam alegremente a falar para mim perante os meus olhos esbugalhados.

Vejamos alguns exemplos práticos:



Como pôr a roupa a lavar? Que botões ligar? Como garantir que não vou dar cabo das minhas camisas? Não fosse a ajuda da JSF e andava de roupinha já muito encardida…


Ligar a televisão não é tão evidente como pode parecer: é preciso passar dos canais nacionais para o cabo. Mudar a língua de recepção. Enfim, zapar e aumentar e diminuir o volume… Vá, com este também já encarreirei…



Ao fim de algum tempo, naturalmente, é preciso comprar alguns produtos de higiene: ora, onde está o champô? A marca “Pantene” parece indiciar que se trata do que eu procuro… mas e se a Pantene tiver no Japão um produto para lavar bidés, desentupir canos de cozinha ou polir pratas? O que acontecerá ao meu cabelo? Será isto o champôo?

Estão a ver o tipo de dificuldades básicas do quotidiano?

29/09/2010


ALVES, My name is Mr. A-L-V-E-S



É conhecida a dificuldade dos asiáticos em fazer a distinção vocal entre os R's e os L's. Esta dificuldade não é apenas japonesa e prende-se com as características do sistema vocal ligadas à fonética das línguas regionais. Há, aliás, piadas de salão (ou de caserna, consoante as audiências) sobre isto. Muitas vezes, é a própria escrita que fica contaminada com esta dificuldade oral, como fica demonstrado na fotografia em cima, tirada há dias numa loja de DVD's aqui ao pé. O "Italian cinema" passou a "Itarian".

Descobri agora outra dificuldade: aqui também não há o som V, simplesmente ausente do japonês escrito e falado. Não deve ser fácil ser diplomata da Venezuela, por exemplo, pior ainda para quem se chamar Vitor Velasquez. Mas eu tenho um problema muito próximo: no apelido ALVES há um duplo tropeção. O "L" cria logo uma travagem camaleónica (com duplo mortal e consequente transformação em "R"), seguindo-se um "V" que aqui só se conhece do alfabeto romano/ latino.

Mas pior ainda é quando eu tentar aprender japonês (o que começará dentro de dias) e for depois, eu próprio, confrontado com sons que jamais serei capaz de dizer. A ver vamos.

18/09/2010


A lula contra-ataca (em japonês)



Quando cheguei à caixa para pagar a embalagem da lula gigante recheada com arroz, a menina apontou para a dita, sorriu esgalhada e, com ar semi-aflito, balbuciou qualquer coisa. Tinha ar de quem lançava um apelo lancinante, um aviso à navegação, um grito de alma incontido. Sorri e disse que não falava japonês. Ela permaneceu impávida, continuou e elevou a voz (que atire a primeira pedra quem nunca achou que falar mais alto era a técnica de tornar compreensível uma língua lontana). Repeti a minha mensagem de ignorância mas ela não queria saber e apontava a lula, agora com postura semi-imperatorial, temperada mesmo com laivos de violência. Seria pesca ilegal? Estaria fora do prazo? Provocaria algum desarranjo? O que me queria ela explicar? Que fosso intransponível se cavou entre nós tendo como pretexto uma lula?

Sem me dar por vencido, trouxe a lula para casa e fiquei a olhar para ela, em tenaz movimento giratório no prato do micro-ondas. Comi - confesso - com um ligeiro (vá lá: ligeiríssimo) receio. Mas tirando o facto de ser uma lula seca e dura (quase hirta, dir-se-ia), não me pareceu levantar problemas. Até agora, pelo menos. De qualquer modo, há uma mensagem a extrair da lula japonesa. Só falta saber qual.