Não só é a grande moda para a primavera - verão, como promove produtos nacionais.
04/05/2012
02/05/2012
19/06/2011
17/06/2011
15/06/2011
AEROPORTOS, os não-lugares
Gosto de aeroportos. Gosto da azáfama, das correrias, dos olhares inquietos para os painéis de informação, das mangas que nos levam aos aviões (não consigo evitar o paralelismo com uma espécie de última caminhada para a morte), gosto dos cafés e das esplanadas com croissants secos ao preço de caviar Beluga, das lojas de bugigangas e chocolates (colega avisada dizia-me outro dia que lojas de aeroporto são locais onde compramos presentes para as pessoas de quem não gostamos), gosto da pose arrogante e impertinente das aero-moças (como dizem os brasileiros), gosto do contraste flagrante com o silêncio das zonas de oração dos aeroportos (em Bruxelas tem de se subir para um corredor esconso, sem escada rolante, que depois dá para uma grande janela cheia de luz - não sei se foi coincidência ou arquitecto tocado pela graça da fé), gosto da intensidade emocional que vai da alegria inominada à dor rasgada, gosto do lado multi-étnico dos terminais não-Schengen, gosto de passar aquela porta das chegadas e reencontrar qualquer coisa ou alguém (ou se reencontra a vida ou se torna a pô-la entre parêntesis). Gosto, enfim, de aeroportos, porque são "não-lugares", no sentido que lhe deu Marc Augé.
Não-lugares são sítios desprovidos de identidade, onde se acelera o tempo e se mergulha no excesso de espaço. Gosto de aeroportos porque em poucos sítios se pode estar rodeado de tanta gente, estando ao mesmo tempo irremediavelmente abandonado. Não há coisa mais moderna.
(Passaram ontem 25 anos da morte de Jorge Luis Borges. In memoriam pela biblioteca de Babel, talvez o mais famoso não-lugar da literatura do século XX).
07/06/2011
Organizar a vida através dos telemóveis
Eu sei que é estranho mas tenho três telemóveis: um português, um belga e um japonês. O nipónico é de uso local e quotidiano mas dos outros não me posso desfazer, como se tal gesto fosse uma afronta, não ao passado, mas ao que no presente dele perdura. Acreditem que não é fácil gerir cartões SIM, pagamentos e carregadores, todos de marcas diferentes.
Há dias, numa viagem de comboio entre dois países europeus, percorri as agendas à procura de um número - sei que tenho o contacto de X mas não tinha a certeza em que telemóvel estava. O mais estranho não foi, porém, a patética cena de um viajante ganzado de jet lag a gerir três telemóveis num lusco-fusco ferroviário europeu. O mais estranho foi percorrer nomes cujas referências já não me pertencem, a que associo caras com contornos já esbatidos: quem será a personagem que surge identificada como a "Tatiana Polónia"? e a "Nelly Loura"? e o "Peter checo"? Seria o canalizador bruxelense? mas dele só me lembro que me cobrou 25 euros para mudar umas borrachas na torneira da cozinha. Nunca retive a nacionalidade - só me lembro que arranhava francês como quem soluça depois de um vinho rasca.
Depois há nomes de mortos: o que fazer com eles? Preservá-los é mórbido. Apagá-los parece uma traição canalha. Há gente por quem suspiramos de alívio por terem desaparecido da nossa vida - contactos que, por termos mudado de azimute, prescreveram nos nossos dias; há outros que num instante se impõem credores de momentos irrepetíveis. Há ainda os que registámos para ter a certeza que nunca iríamos ter de atender; os que de tantas vezes marcar, sabemos de cor; os que quando pipilam no visor do telemóvel nos fazem tremuras, esgares de pânico ou cólicas; os que, ao invés, nos resgatam à fealdade dos dias; aqueles com quem trocamos sms's noite dentro, condensando sussuros indizíveis.
Objecto vilipendiado, odiado e desejado, guardador de mistérios e traições, de segredos e revelações. Dir-se-ia que é horrível ter três telemóveis. Eu diria que afinal é fonte inesgotável de sensações. No meu caso, a multiplicar por três.
06/06/2011
03/06/2011
02/06/2011
27/05/2011
25/05/2011
23/05/2011
Le Plat Pays

Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
Et des vagues de dunes pour arrter les vagues
Et de vagues rochers que les mares dpassent
Et qui ont jamais le coeur mare basse
Avec infiniment de brumes venir
Avec le vent d'Ouest, coutez-le tenir
Le plat pays qui est le mien.
Avec des cathdrales pour uniques montagnes
Et de noirs clochers comme mts de cocagne
O les diables de pierre dcrochent les nuages
Avec le fil des jours pour unique voyage
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Avec le vent de l'Est, coutez-le vouloir
Le plat pays qui est le mien.
Avec un ciel si bas qu'un canal s'est perdu
Avec un ciel si bas qu'il fait l'humilit
Avec un ciel si gris qu'un canal s'est pendu
Avec un ciel si gris qu'il faut lui pardonner
Avec le vent du Nord qui vient s'carteler
Avec le vent du Nord, coutez-le craquer
Le plat pays qui est le mien.
Avec l'Italie qui descendrai l'Escaut
Avec Frida la blonde quand elle devient Margot
Quand les fils de novembre nous reviennent en mai
Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet
Quand le vent est au rire, quand le vent est au bl
Quand le vent est au Sud, coutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien.
18/05/2011
Da série "escritores com enorme potencial"

Badana de "A Filha dos Mundos" de Inês Botelho.
Através de um dos meus blogs de leitura obrigatória, Livreira Anarquista.
(clicar na imagem para aumentar e ver melhor)
07/05/2011
Não gosto mesmo nada de um video que aí circula sobre Portugal e a Finlândia. E não gosto porque não me agrada o tom proselitista de quem parece que está a dar um sermão encostado a 8 séculos de história. Os finlandeses votaram como quiseram e deram 19% a um partido radical e anti-europeu. Estão no seu direito. Desde quando evocar que temos mais telemóveis do que habitantes nos dá superioridade moral? (sim, porque é disso que se trata). E os erros de palmatória do video? (contei pelo menos 4. Ex: "arigato" não vem de "obrigado"). E as frases sem sentido? (comemos carne de porco: e depois?). E o racismo disfarçado de universalismo? (temos uma estátua de um futebolista "black man"). E se a referência ao Eusébio está imbuída de caridade cristã, deviam ter-se lembrado, na referência final à campanha de 1940, que a Bíblia também diz que a mão direita não vê o que dá a esquerda. É de mau gosto vir atirar isso à cara de alguém mais de 70 anos depois.
29/04/2011
OS AMANTES
Ver aqui.
(por uma qualquer razão técnica, não consigo importar directamente o video, mas confiem em mim e cliquem em cima para o youtube para ouvir 3 minutos e qualquer coisa de amor em estado puro).
08/04/2011
Juliano Mer-Khamis era filho de mãe judia e de pai árabe. Era actor e participou em vários filmes (só vi "Tel Aviv Stories"). Em 2006, criou o Teatro da Liberdade onde organizava ateliers de representação com crianças árabes e judias. Foi assassinado com 5 tiros à queima roupa na passada 2ª feira, em Jenin.
Disse numa entrevista: "I'm 100% jew and a 100% arab. Either we live together, or we won't live at all".
As balas mataram Khamis mas não as razões de Khamis.










