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14/06/2011

Lancel’s new autumn collection... for dogs!




A few days ago there was a big fuss around Lancel shop in Roppongi. I thought it was a vernissage or a fashion show with some designers, models and the usual womanizers who show up in these situations. Wrong, wrong and wrong. Lancel was launching its new autumn – winter collection for… dogs. Colourful collars, brighty “clothes” and original bags were on the spot in this unexpected late spring event. It was quite crowded, not surprisingly, with more people than animals (which is a bit unfair given the expected targeted audience).

Rumours say that Vuitton is doing its upmost to catch the eyes for their new collection for horses but fashion designers are struggling about the new tendencies.


The new Lancel collars




26/04/2011


25 de Abril em Tóquio










Jardim de Hamarikyu, antigo local de residência da família shogun Tokugawa no século XVII.


18/04/2011


TÓQUIO E O RIO SUMIDA




Há cidades que vivem casadas com rios - Lisboa com o Tejo, Paris com o Sena. Mas a comparação mais próxima aqui seria Nova Iorque com o Hudson, pela dimensão das cidades e dos rios envolvidos. Embora, na sua essência, a relação seja diferente. NI tem o Hudson uma relação patriarcal, dominante. O Hudson faz parte de NI mas é-lhe marginal. Há entre os dois uma relação de força de iguais - uma downtown viril que se prolonga num Hudson cheio de rebocadores (Hey, you wanna hear my philosophy of life? Do it to him before he does it to you., "Há lodo no Cais", Elia Kazan, 1954).

Tóquio é diferente - a cidade e o seu rio são potentosos mas o Sumida tem uma espécie de doçura feminina indisfarçável. O Hudson dá filmes e poemas modernos, o Sumida dá haikus de Basho (spring peace/ a mouse licking up/Sumida River). O Sumida prolonga a cidade mas transmuta-lhe a cor, embeleza-a, complementa-a. Em Tóquio, o Sumida canta uma melodia distinta (o Hudson complementa NI em improvizos jazísticos).



Vista de Kayabacho: ao fundo a Torre de Tóquio.



PS - Obrigado ao meu amigo OBD que me chamou a atenção que o texto publicado (e entretanto corrigido) tinha um clamoroso erro de geografia. Nada desculpa erro tão grosseiro a não ser uma enorme falta de atenção.

15/04/2011

CEREJEIRAS EM FLOR, Sakura (III)

Sakura para todas as idades...

...e para todos os géneros.

No fim do pic-nic, pode-se tocar música...

...ou fazer uma massagem.

30/03/2011


348 + 1 réplicas






Volto ao tema das réplicas: tudo aponta para que tenhamos de viver com elas durante bastante tempo e o melhor mesmo é criar habituação. Por razões higiénicas, há que mudar a água do copo-sismógrafo-improvisado mas não se vislumbra que o copinho possa ser devolvido ao armário onde habitualmente pernoita. Desde o dia 11 de Março, houve 348 réplicas de, pelo menos, escala 5 (posso garantir: o suficiente para acelerar um nadinha o ritmo cardíaco...).

Tenho andado a ler e o que aqui se vive corrobora: várias réplicas com intervalos de minutos ocorrem na hora subsequente ao grande sismo (bem o senti, eu e as centenas de pessoas que estavam no páteo da escola de Kojimachi, para onde fomos); aumento progressivo de intervalos nas 24 horas seguintes mas uma média de 30 minutos (assim foi: na primeira noite acho que ninguém dormiu em Tóquio); diminuição progressiva ao longo da primeira semana mas possibilidade de ocorrência de réplicas que podem ser de magnitude elevada (5 dias depois houve um sismo médio em Shizuoka). A tendência, dizem os especialistas, é - espero que não se enganem - de diminuição progressiva da intensidade das réplicas mas com a ressalva que podem continuar durante meses, senão mesmo anos.

Na 6ª feira passada, também tive a minha réplicazinha particular: estando num jantar com um francês, e virando por instantes a agulha da língua de Shakespeare para a língua de Molière (como diz o meu amigo PS), diz-me ele que, apesar de eu falar bem, nota-se um forte sotaque belga. Já é a segunda vez que me dizem isso em pouco tempo mas nunca tinha acontecido, como agora, ao fim de apenas 3 frases... Désolé. Ou como se diz em típico patois bruxelense: "xai pas vous aider"! Tirar o homem de Bruxelas é definitivamente mais fácil do que tirar Bruxelas do homem.

29/03/2011

O que salvaria de sua casa em caso de catástrofe?


No dia 11 de Março cheguei a casa já madrugada dentro. Ao chegar à porta do prédio, constatei que me era exigido mais um esforço: os elevadores não funcionavam, pelo que era preciso subir a pé. Comecei então a pensar sobre o que iria encontrar em minha casa. Isso já me tinha ocorrido vagamente durante a tarde mas sem tempo para reflexões profundas. Agora, ao subir umas centenas de degraus, ia passando em revista as possibilidades: livros derrubados das estantes não suscitam preocupação (e confirmou-se: estavam no chão mas incólumes), quadros caídos das paredes implicam no máximo molduras ou vidros partidos (assim foi: um vidro rachado), jarras ou objectos decorativos são sempre substituíveis (uma jarra partida efectivamente), loiça feita em cacos tem destino evidente (nem um copo se partiu), molduras podem cair mas não se estragam (apenas uma moldura descolada). Pensei, em breves segundos: os estragos não podem ser muitos.

Na verdade, a única coisa que me preocupava era o computador portátil. Se pensarmos no valor individualmente considerado, nem é o "objecto" mais caro que tenho em casa. Mas pensar que poderia estar danificado foi motivo de alguns minutos de angústia: são centenas de fotos dos últimos anos (já gravei todas em CD à cautela...), documentos, projectos e textos em que estou a trabalhar (já fiz backups em vários sítios), é a linha skype para falar para o mundo, os meus mails a qualquer hora do dia ou da noite, a janela do FB, o twitter, a possibilidade de trabalhar em casa, o estar contactável em permanência (o que foi fulcral nesta crise)...

Quando abri a porta, corri para a mesa de trabalho: o meu laptop estava tranquilamente firme no sítio onde o tinha deixado de manhã. Indiferente aos livros pelo chão, à jarra feita em cacos e ao saco do lixo espalhado na cozinha. O mundo continuava à distância dum teclado.


28/03/2011

Máscaras, mascarilhas, medo nuclear e a rainha Santa Isabel


Mais de duas semanas depois do sismo de 11 de Março, a grande preocupação que chega à Europa é a radioactividade. O problema existe? Sem dúvida que sim. Mas longe, muito longe, da forma como é retratado na comunicação social europeia. Alguns dados objectivos para sossego lontano: o nível de radioactividade em Tóquio é, apesar de acima do que era antes do problema com a Central de Fukushima, muito baixo. A semana passada, o nível em Tóquio era equivalente a algumas capitais europeias e mesmo abaixo de algumas delas. Para os mais desconfiados, acrescento que são dados de medições europeias e não japonesas.


Isto é notícia? Não é. E como não há nada de mais excitante (uma guerrazita na Líbia não vende tão bem como um "apocalipse nuclear" - palavras da Newsweek a cavalgar declarações bombásticas de responsáveis bruxelenses), eis agora que a excitação anda em torno das pessoas em Tóquio que usam máscara.

A ver se nos entendemos com isto: em Tóquio, e na Ásia em geral, o uso da máscara no espaço urbano generalizou-se há muito. Em primeiro lugar por causa do receio de vírus e doenças (a célebre gripe SARS teve um papel fulcral aqui). Depois, por uma questão de civismo. Qualquer pessoa que esteja constipada ou numa ressaca de gripe põe de imediato uma máscara para evitar contaminar quem está à volta (as pessoas aqui vivem muitas vezes compactadas no metro ou no local de trabalho). Depois, de há uma semana para cá, viu-se, efectivamente, um aumento das máscaras. Medo do nuclear? Não. Medo do pólen. A primavera está a começar em força, há milhares de flores a despontar e há nuvens de pólen que provocam alergias. Para se protegerem, as pessoas usam a máscara preventivamente, em vez de se enfrascarem em anti-estamínicos posteriormente. Finalmente: uma revista trazia outro dia (antes do terramoto) uma reportagem onde se explicava que o uso desta máscara se tornou uma espécie de moda entre grupos de adolescentes e jovens, um sinal de tribo, marca distintiva que confere ao grupo um signo próprio e que mascara uma timidez por vencer.

Por isso, quando virem prosa debitada por pena europeia que descreve um povo amedrontado pelo inimigo invisível que vem de Fukushima, desconfiem. Não é o nuclear. Como diria a rainha Santa Isabel: são as rosas, Senhor.

25/03/2011


AS MÚLTIPLAS LEITURAS SOBRE O FUMO BRANCO



Num grupo antes de começar uma reunião: eu e os colegas sueco, finlandês, dinamarquês, irlandês e espanhol. O sueco lê do iPhone as últimas notícias da Central de Fukushima: durante várias horas saiu fumo negro do reactor 2 mas na última hora, transformou-se em fumo branco (o que é um bom desenvolvimento). Alguém diz:

- Well colleagues, habemus papam...

O espanhol, o irlandês e eu rimos até às lágrimas perante o ar atónito dos nórdicos.

Sou laico até à medula mas convenhamos que isto de representar uma nação de história fidelíssima tem que se lhe diga. Uns percebem, outros não.

24/03/2011


Muitas teses, algumas antíteses e todos os dias em busca da síntese



É difícil gerir a informação, separá-la dos rumores, contrariar a contra-informação, distinguir factos de opiniões e ver para lá do muito nevoeiro que estes dias têm produzido. Diz-se de tudo em todos os sentidos porque todos estamos diplomados à pressa em ciências que há escassas duas semanas faziam para todos parte do domínio do ocultismo. Hoje todos os “toquioitas” sabem o que são os becquerels, os microsieverts, o iodo 131, os raios gama e a fissão nuclear. Há quem diga que fervendo água ou filtrando-a se diminuem os níveis de becquerels mas há quem diga o contrário. Há quem beba água e há quem nem a cheire. Há quem ande de metro e quem tenha medo de estar “lá em baixo”. Há quem diga que o pior já passou e há quem durma vestido por receio de ser apanhado em fuga de pijama. Há quem mantenha um semblante carregado e quem consiga dar gargalhadas. Há quem comece todas as frases com “eu estou calmo mas...”, há quem coma compulsivamente, há quem emagreça com os nervos. Há quem fale de energia nuclear como os comentadores televisivos falam de não-importa-o-quê: com a segurança que impressiona os incautos de mãos dadas com a leveza dos neófitos. Tóquio, por estes dias, fez-me lembrar Cesare Pavese, no poema "Wind of March":


Sei la vita e la morte.
Sei venuta di marzo
sulla terra nuda -
il tuo brivido dura.
Sangue di primavera
- anemone o nube -
il tuo passo leggero
ha violato la terra.
Ricomincia il dolore.
Il tuo passo leggero
ha riaperto il dolore.
Era fredda la terra
sotto povero cielo,
era immobile e chiusa
in un torpido sogno,
come chi più non soffre.
Anche il gelo era dolce
dentro il cuore profondo.
Tra la vita e la morte
la speranza taceva.

23/03/2011

Um sismógrafo dentro do peito



O meu colega sérvio foi o primeiro a confessar: I am always feeling earthquakes. Depois dele, todos admitiram o mesmo. Fui ver o que se diz na literatura especializada e parece que esta reacção é vulgar a quem passa pela experiência dum grande terramoto. Por um lado, desenvolvemos uma hipersensibilidade e, por isso, detectamos as réplicas como se tivéssemos um sismógrafo dentro do peito. Por outro lado, há um factor psicológico que faz com que estejamos a ver terramotos onde eles não existem. Era justamente a este segundo caso que se referia o meu colega sérvio perante o olhar concordante de uma plateia que não ousara verbalizar o mesmo. Dar uma ordem de impressão de um documento faz tremer a mesa, logo, terramoto. Passa um autocarro, o chão treme, logo, terramoto. O vento abana as árvores, logo, terramoto. Estamos todos aqui a fazer um curso acelerado de sismografia e, na impossibilidade de ter aparelhos sofisticados em casa, todos recorremos ao mesmo artefacto: um copo com água em cima da mesa para o qual se olha. Se a água começa a mexer, é mau sinal. Mas também é verdade que esta hipersensibilidade vai de mãos dadas com uma resistência a que todos nos habituámos já. Como dizia um outro colega, “por menos de um grau 4 já nem me levanto da cadeira”.

22/03/2011

SISMO NO JAPÃO - Percepções



Aquilo que se viveu em Tóquio no dia 11 de Março às 14h46 é uma experiência que não desejo a ninguém. E não posso imaginar o que terá sido estar em cidades como Sendai ou Fukushima onde o sismo se sentiu de forma ainda mais forte e onde um tsunami (mais do que o sismo) semeou a morte.

Quem aqui vive sabe que à distância, na Europa, também as pessoas viveram coladas à TV e à net seguindo uma dor distante que se fazia própria e que a distância acentuada cavou em angústia. Isso percebe-se bem. O que se percebe menos é a onda de histeria, sensacionalismo, exagero e falta de rigor que perpassou na comunicação social europeia (já para não falar da irresponsabilidade de dirigentes políticos a falar de “apocalipse”). Vi directos na TV portuguesa onde se falava insistentemente de Chernobyl (a comparação não tem nada mas mesmo nada a ver do ponto de vista técnico) e se elencavam as ameaças a que Tóquio está sujeito, referindo o Monte Fuji (o Monte Fuji???). Li bloggers encartados a dizer que em Tóquio foram encerradas 200 linhas de metro (Tóquio tem 15 linhas de metro e, tirando nas horas imediatamente a seguir ao sismo, estiveram sempre a funcionar) e que Tóquio é uma cidade-fantasma (há milhões de pessoas a passear e às compras).

Sei de vários portugueses aqui residentes que falaram para as TV’s e jornais e que transmitiram justamente uma nota contrária: sem negar a gravidade da situação, sublinharam (e muito bem) o regresso progressivo a uma certa tranquilidade, aos ritmos da vida quotidiana que – sem dúvida – está afectada mas que se impõe com o passar das horas.

Mas sei também de um caso de uma portuguesa que, contactada por um jornalista não-português (sublinho: não português), explicou que poderia dar o seu testemunho relativamente à serenidade com que tudo está a ser vivido e ao facto de Tóquio praticamente não ter problemas. Responderam-lhe: “OK, deixe estar, vamos contactar outra pessoa”.

20/03/2011

RECENTRAR O OLHAR NO BELO



10 dias depois duma tragédia avassaladora, reparo que numa árvore ao pé da embaixada as flores da primavera já se fazem anunciar.

08/02/2011


Oh Gosh...



... so in case of emergency, what do I have to do exactly...?

28/01/2011


O PAVIMENTO DE NEVE



Quando visitaram a casa, no velho quarteirão da cidade, encontraram Shirikawa já morto de fome, no seu quarto de dormir. O apartamento tinha ainda dois outros aposentos. Ambos sem mobília. No primeiro, estavam apenas três cadeiras negras, de tipo europeu, encostadas à janela, como se alguém estivesse disposto a contar, pela janela, as mil folhas do plátano. Depois percebeu-se que as cadeiras eram dos três magríssimos gatos, companheiros do velho. Na terceira sala, o pavimento apresentava-se coberto por um manto de arroz muito branco. Shirikawa nascera em Chichibu, uma aldeia do Norte do Japão. Desde jovem, durante a procissão para a queda das primeiras neves, tocava um pequeno ko-daiko*.
Porque será que Shirikawa, possuindo todo aquele arroz, se deixara morrer de fome?
Quando o levaram com a liteira, alguém experimentou deitar-se na cama, até assumir a posição exacta do morto. Com a cabeça pousada sobre o travesseiro, para além do corredor, viu o quarto com o pavimento de arroz. Saboreou a doce contemplação da neve pousada, e até a cor de cinza da parede do fundo parecia inverter-se para formar um céu frio e invernal.
Depois de longa investigação no quarteirão, descobriu-se que Shirikawa, desde há alguns anos, sofria com saudades da neve. Aquele era um lugar onde nunca nevava.

* Pequeno instrumento de percussão muito usado no Japão

Tonino Guerra, Histórias para uma noite de calmaria

(lido há muitos anos, quando nem sonhava com o Japão, e recordado esta semana via
Bibliotecário de Babel)

14/01/2011

Beware of the deers



... lovely spot in Nara Park. I'm just a bit surprised by the fact that the deers are potencialy dangerous. If that is the case, why aren't they put in cages, like in zoos, instead of being left free around the visitors?

05/01/2011


Kadomatsu - ou "bom ano"



Está à porta de todos os edifícios, privados ou públicos. Chama-se "kadomatsu" e significa literalmente "porta de pinheiro". Na tradição budista serve para acolher os espíritos e têm sempre três canas de bambu de alturas diferentes representando o céu (o mais alto), a humanidade e a terra (o mais baixo). Estão geralmente aos pares, um de cada lado das portas, representando o homem e a mulher. Na versão de Kyoto - já espalhada por todo o Japão - pode ser um simples arranjo de mesa ou para pendurar na porta. Têm, eminentemente, um significado religioso mas justamente a passagem de ano no Japão é, sobretudo, uma festa religiosa.

18/11/2010

A country for all seasons – autumn colours in Tokyo


Unlike Europe, Japan still preserves different seasons, with different atmospheres and backgrounds and, above all, an amazing spectrum of natural colours offered by a generous nature. Here are some examples.