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12/06/2011


DOMINGO DE VERSOS - Teixeira de Pascoaes




Portugal é a Paisagem e a Saudade.


05/06/2011


DOMINGO DE VERSOS - William Butler Yeats





How can I, that girl standing there,
My attention fix
On Roman or on Russian
Or on Spanish politics?
Yet here's a travelled man that knows
What he talks about,
And there's a politician
That has read and thought,
And maybe what they say is true
Of war and war's alarms,
But O that I were young again
And held her in my arms!

William Butler Yeats, Politics


29/05/2011


DOMINGO DE VERSOS - Liliana Wouters


Que reste-t-il de ton passage, Ulysse ?
Un vieux chant grec auquel nous avons bu.

22/05/2011


DOMINGO DE VERSOS - SOPHIA




Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner


15/05/2011


DOMINGO DE VERSOS - LUIS VAZ DE CAMÕES




Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Proteu são cortadas

Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas, Canto I, estrofe 19


08/05/2011


DOMINGO DE VERSOS - Wislawa Szymborska



EXEMPLO

Um vendaval
despojou todas as folhas das árvores ontem à noite
com a excepção de uma folha
deixada
a baloiçar sozinha num ramo nu.

Com este exemplo
a Violência demonstra
que sim, senhor –
gosta da sua piadinha de vez em quando.

(traduzido do inglês por João Luís Barreto Guimarães)


01/05/2011


DOMINGO DE VERSOS - Anacreonte




BEBER DE UM TRAGO

Vá lá, ó rapaz, traz-me
uma taça, para que eu beba
de um trago. Põe dez medidas
de água e cinco de vinho,
para que novamente eu faça de bacante,
mas sem insolência.
Vá lá então: assim com este
barulho e com esta gritaria
não bebamos à maneira da Cítia,
mas bebamos moderadamente
no meio de belos cantos.

(tradução de Frederico Lourenço)


24/04/2011


DOMINGO DE VERSOS - Jorge Luis Borges




O Suicida

Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Oiço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"


17/04/2011


DOMINGO DE VERSOS - Walt Whitman




O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up -- for you the flag is flung -- for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths -- for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

10/04/2011

DOMINGO DE VERSOS - Jorge de Sena



Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas,
os temas, os motivos, os símbolos,
e a primazia nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros,
na coragem de combater, julgar,
de penetrar em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até outros ladrões mais felizes.
Não importa nada:
que o castigo será terrível.
Não só quando vossos netos
não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome.
E mesmo será meu, tido por meu,
contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável que,
só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada:
nem os ossos, que um vosso esqueleto há-de ser buscado, para passar por meu.
E para outros ladrões, iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

(de Metamorfoses, 1963)


03/04/2011

DOMINGO DE VERSOS - Manuel Maria Barreiros



Se esta noite passar um cometa, ainda pedirás um desejo?


Manuel Maria Barreiros, in aqueles que têm os ossos frágeis


27/03/2011


DOMINGO DE VERSOS - ANTÓNIO RAMOS ROSA



O mundo inteiro assim cabe num limbo


e é como um eco límpido


e uma folha de sombra que no vagar ondeia entre minúsculas luzes


E é astro imediato de um lúcido sono fluvial


e um núbil eclipse em que estar só é estar no íntimo do mundo



António Ramos Rosa, in Poemas Inéditos


13/03/2011

Domingo de versos - Mário Cesariny




Ama como a estrada começa


Mário Cesariny

06/03/2011


Domingo de versos - Pedro Tamen



Amigo, a que Vieste?

Onde foste ao bater das quatro horas
e, antes, quem eras tu, se eras?
Amigo ou inimigo, posso falar-te agora
sentado à minha frente e com os ombros
vergados ao peso da caneta?
Falo-te sobre a cabeça baixa
e vejo para além de ti, no horizonte,
teus riscos e passadas;
mas não sei onde foste, nem se eras.
Olho-te ao fundo, sob o sol e a chuva,
fazendo gestos largos ou só um leve aceno;
dizes palavras antigas,
de antes das quatro horas,
e nada sei de ti que tu me digas
dessa cabeça surda.
Não te pergunto pela verdade,
que pensas de amanhã ou se já leste Goethe;
sequer se amaste ou amas
misteriosamente
uma mulher, um peixe, uma papoila.
Não quero essa mudez de condolências
a mim, a ti, ou só à terra
que tu e eu pisamos — e comemos.
Pergunto simplesmente se tu eras,
quem eras, e onde foste
depois que se fizeram quatro horas.

Será que não tens olhos? Não tos vejo.
De longe em longe
agitas a cabeça, mas talvez seja engano.
Palavra, não te entendo.
Amigo, a que vieste?

Pedro Tamen, in "Horácio e Coriáceo"

27/02/2011

Domingo de versos - T.S.Eliot





Only those who will risk going too far
can possibly find out
how far they can go.

T.S.Eliot

20/02/2011

Domingo de versos - Eduardo Pitta



Temos que baste
a pátria à janela
e a vontade na cama

Eduardo Pitta

13/02/2011


Domingo de versos - Issa Kobayashi



Neste mundo
por cima do inferno
contemplo as flores

Issa Kobayashi
(poeta japonês 1763 - 1827)

06/02/2011


Domingo de versos, Adília Lopes



Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito

Adília Lopes, in Caderno, & Etc, 2007

30/01/2011

Domingo de Versos - Al Berto



E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

23/01/2011

Domingo de versos, António Franco Alexandre





um bicho guarda (em osso) a mansidão da terra
com dentes guarda: tem
palavras angulosas, pinhos, astros,
água aguçada em frincha
não se poupa.

António Franco Alexandre, Poemas