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17/05/2011


LECTURES IN HIROSHIMA


At the entrance of Hiroshima High School with the Vice-Principal. In the framework of Europe's Day, I came to this school to speak to 500 students about the European Union. The students were very interested, very well prepared and very active. After my lecture, we had a Q&A period of 30 minutes and we had to stop because I had to run to catch the train back to Tokyo. They wanted to know about the "freedoms", the common currency and the European Parliament. On the previous day, I had been to Hofu Commercial School (Yamaguchi Prefecture), where I spoke to another group of 480 students. Also here, I was amazed by the interest and commitment shown by Japanese students and teachers.








16/05/2011


PHOTOS OF HIROSHIMA







The old Chamber of Commerce of Hiroshima, bombed on August 6th 1945, which now became a classified monument.





The Cenotaph in the Peace Park



Children's Memorial, also in the Peace Park



The Peace Museum



Probably the most famous object in the Peace Museum: a watch found in a building that was destroyed, stopped at 8.15am, the exact moment of the bombing



Hiroshima Castle - built in 1591, destroyed by the Atomic Bomb, rebuild in 1958

10/05/2011


Até já

10/03/2011


Sobre a importância dos anúncios eróticos numa revista literária



Há dias, numa longa viagem de Shinkasen (o combóio-bala), li o New York Review of Books que mão amiga (obrigado LC) me enviou da Europa. Chegado às páginas finais, dou com duas páginas de anúncios e uma coluna de “serviços pessoais”. À cabeça, este texto:

Erotic, intelligent, imaginative conversation. Uninhibited telephone exploration of your sexual fantasies. Discretion assured. Julia

Dei por mim a pensar que percebi o que falta no nosso lusitaníssimo JL: uma página de anúncios eróticos. Isto de pensar que os homens de letras não têm escondidos dentro de si os mais sórdidos pulsares sexuais é um moralismo bacoco mal disfarçado, herdado de salões de compostura só aparente. Conheço alguns intelectuais de espírito finíssimo e de avassaladora cultura, que não resistem a um certo tom badalhoco e à vulgaridade chavascal. Há aliás uma certa tradição literária muito portuguesa nesse domínio, que passa por Bocage e que, mais recentemente, teve expoente em Luiz Pacheco (já para não falar no celebérrimo blog O Meu Pipi, cujo autor nunca foi conhecido).

A ideia de anúncios eróticos numa publicação dirigida a um público intelectual é um mercado por explorar devidamente mas que talvez possa ter sucesso. Conheço alguém que dizia que podia aceitar tudo menos dormir com alguém que não soubesse comer à mesa. Estou certo que há quem pense nos mesmos moldes – tudo menos alguém que não saiba escrever uma frase como deve ser. Aliás, na mesma secção de “serviços pessoais”, havia um desabafo de uma tal Rebecca que admitia in today’s world it’s not easy to find somenone who can craft a well-written letter.

O amor é o domínio fecundo da improbabilidade. Amigos intelectuais: deixem-se de vergonhas. Para quem possa estar interessado, o número da Julia, autora do anúncio, é + 1 617 661 3849.

07/03/2011


O bairro Kitano, em Kobe



Kobe é talvez a menos japonesa das cidades que já visitei: o porto, um dos maiores do Japão, foi dos primeiros a abrir-se ao exterior, em 1868, e ali assentaram homens de negócios e mercadores, comerciantes e industriais, diplomatas e viajantes. Era porto comercial de monta, com ligações a todo o mundo, desde Barcelona ao Rio de Janeiro, de Riga à Cidade do Cabo. Foi ali justamente que se instalou o nosso Venceslau de Moraes, como cônsul de Portugal. O bairro Kitano é das zonas mais interessantes da cidade, sendo ali que se instalaram os milhares de estrangeiros que constituíam o nervo central da vida comercial e industrial de Kobe na segunda metade de novecentos. Incapazes de viver em casas tradicionais e dormir em tatamis, os estrangeiros construíram todo um bairro com traçada europeia, hoje imaculadamente preservado e sucessivamente reconstruído por causa dos terramotos. Tem algo de artificial – o que é visível à vista desarmada por qualquer visitante – na paisagem habitual do Japão mas não deixa de constituir um bairro agradável, hoje transformado em atracção turística.


Esta casa foi construída em 1907 por um comerciante americano que então se instalou em Kobe, vindo da Europa. Foi destruída no tremor de terra de 1995 e reconstruída mantendo-se exactamente o traçado. Hoje é o Starbucks.

03/03/2011


Gestão inventiva do espaço urbano



A solução nasceu do que, nos bancos da faculdade de direito, poderia ser um exemplo clássico de confrontação de direitos reais: por uma estória complicada de heranças e de duplas vendas, constatou-se que, relativamente ao mesmo terreno, havia uma licença de construção de um prédio e uma licença de construção de uma estrada. Os japoneses não se atrapalharam: construíram o prédio e ao nível do 3 - 5º andar fizeram um túnel onde atravessa a estrada.

Um must absoluto a visitar em Osaka.

18/02/2011


Isto anda tudo ligado...



Há dias estive em Yokohama (segunda cidade do Japão e onde se encontra a maior China-town do mundo fora da China - ver foto acima), para uma reunião de trabalho. No decurso do almoço, também de trabalho, o meu interlocutor explicava-me com detalhe o tipo de plantações florestais na ilha da Madeira e a sua importância para a manutenção do equilíbrio do ecossistema local. E foi quando ele disse aquela palavra - ecossistema - que se fez luz no meu espírito sobre o modo de "desatar" um nó górdio de um texto sobre Maria Gabriela Llansol em que ando a matutar.

À partida dir-se-ia que as coisas não têm nada a ver uma com a outra: uma reunião técnica em Yokohama sobre plantações florestais sustentáveis e os intrincados meandros literários de uma escritora portuguesa exilada na Bélgica. Mas foi assim: o ecossistema biológico madeirense, de repente, foi chave interpretativa do ecossistema literário llansoliano. Há coisas que não se explicam.


17/02/2011


O GRANDE BUDA DE KAMAKURA



Kamakura é uma cidade costeira a 30 quilómetros de Tóquio onde co-existem surfistas alternativos e monjes piedosos. O seu ícone mais famoso é uma estátua de Buda construída no século XIII, que pesa 93 toneladas e tem quase 14m de altura. Resistiu a 800 anos de intempéries e terramotos e desde os anos 60 que tem uma estrutura antí-sismica.

Uma curiosidade: quando Obama veio ao Japão em Novembro passado, foi o único sítio "turístico" que visitou na aberta do programa oficial.

14/02/2011


O PAVILHÃO PRATEADO



Embora não seja tão "impressionante" como o seu congénere dourado, o Pavilhão Prateado - Ginkaku-ji - é outro marco obrigatório em Quioto. O jardim em volta é imaculado: no recorte do arvoredo, na simplicidade dos jardins de pedras e no percurso do caminho que o visitante é convidado a percorrer (apesar da lama que Janeiro não consegue evitar...).

O Pavilhão Prateado remonta ao final do século XV e tem uma curiosa disputa de família na sua origem: foi mandado construir pelo neto do mandante do Pavilhão Dourado, como modo de afirmação de poder. Sem querer pôr em causa a supremacia do avô (um era "dourado", o outro seria só "prateado"), os tectos deste templo deveriam ter sido revestidos a prata (o que não chegou a acontecer). No entanto, ao contrário do Pavilhão Dourado (que se tornou um templo religioso, um "convento" se quisermos adoptar a terminologia europeia), o Pavilhão Prateado tornou-se um centro de artes, sendo, durante séculos, palco de representações teatrais e musicais, galerias que abriam portas a artistas e salas de acolhimento a poetas e filósofos. O Pavilhão Prateado poderá nunca ter conseguido ter a fama do Dourado mas foi, antes do conceito ser conceito, residência artística apoiada por mecenas locais.


01/02/2011


QUIOTO: Gion vs. Pontocho, ou a importância das geixas



- Terá de esperar pelo menos três anos... Além disso, Chi-Chan vai para Pontocho no ano que vem.
- Para Pontocho? Mas porquê?
- Quer ser maiko. Está doida por isso.
- Se quer ser aluna de gueixa, não será melhor Gion?
E no seu íntimo olhava-a convencido de que aquela rapariga, fosse para Gion ou para qualquer outro lado, se tornaria numa maiko de grande classe.

Quioto, de Yasunary Kawabata (edição portuguesa na D. Quioxote)

Comprei há dias um tijolão de quase um milhar de páginas que explica tudo o que alguém pode querer saber sobre o fascinante, misterioso e requintadíssimo mundo das gueixas. Mas na contra-capa de uma edição americana faz-se a advertência: só espíritos apressados e ignorantes (leia-se europeus, numa matriz conceptual que agora não vale a pena desenvolver) pensam que gueixas são prostitutas finas. Nada disso: gueixas são, na tradição japonesa, senhoras de educação esmeradíssima que fazem companhia aos homens, conversam durante um jantar e cantam ou representam as artes tradicionais.

Difícil para um ocidental perceber isso? Será. Mas é sempre bom lembrar, como Shakespeare dizia a Horácio, que há mais coisas no céu e na terra do que a nossa vã filosofia pode imaginar. Japão incluído.

(foto de uma gueixa em Pontocho/ Quioto)

21/01/2011


Quioto: o Templo Dourado






"O Templo Dourado é uma construção de dois andares, dominando o lago - dito «Espelho de Água» - de um jardim. Pensa-se que foi acabado em 1398, quinto ano da época Oei. O arquitecto do rés-do-chão e do primeiro andar é do tipo doméstico «Shinden» com persianas de baixar. O segundo andar é uma sala de cinco a seis metros quadrados, no mais puro estilo Zen, com uma porta central de almofada e cruzetas, e janelas de florões de ambos os lados. O telhado é em ripas de ciprestes. É do tipo «Hokei», encimado por uma fénix em bronze dourado.



Igual à lua no céu noctrino, o Templo Dourado fora edificado como símbolo do tempo das trevas. Por isso era indispensável que o templo do meu sonho se erguesse dum fundo de noite densa - uma noite que o encerrasse de todos os lados. E dentro dessa noite negra, a textura de esplêndidas e esbeltas colunas repousava, calma, serena, levemente iluminada do interior. Quaisquer que fossem os discursos que lhe pudessem dirigir, era necessário que o templo maravilhoso continuasse a oferecer silenciosamente a todos os olhares a sua delicada arquitectura, e a sofrer o assalto das trevas circundantes.


Pensei também no fénix de ouro que no alto do telhado ficara, anos e anos, exposto às intempéries. O misterioso pássaro, de nunca anunciar o raiar do dia, de nunca bater asas, deveria ter-se esquecido de quem era.




Quando o meu pensamento se libertava, o Templo Dourado surgia-me como um magnífico navio atravessando o oceano dos tempos."

Yukio Mishima, O Templo Dourado

(à atenção de eventuais visitantes: ler "O Templo Dourado" de Mishima é obrigatório antes de vir ao Japão. Existe uma edição da Assírio mas a tradução é má. Podendo, é melhor ler as traduções inglesa ou francesa. Não sei o que vos diga sobre o Templo Dourado a não ser que é um espanto radical e absoluto. Mas como as citações - esse amor despudorado pelas palavras - existem como sinal de humildade (e não de arrogância como pensam alguns), deixo-vos com o Mishima. Não podiam aliás, literariamente falando, ficar em melhor companhia).

14/01/2011

Beware of the deers



... lovely spot in Nara Park. I'm just a bit surprised by the fact that the deers are potencialy dangerous. If that is the case, why aren't they put in cages, like in zoos, instead of being left free around the visitors?

12/01/2011


Quando a falta de espaço aguça o engenho



Com os problemas de espaço limitado no tecido urbano, o engenho japonês não tem limites: perante a impossibilidade de arrumar uma retrete e um lavatório na casa de banho, este último foi fusionado com o autoclismo, pondo-se uma torneira em cima e fica resolvido o problema. Genial. (só não percebi a função dos raminhos de flores de plástico mas é irrelevante...)

11/01/2011

É favor não beber o detergente...



Não vá algum distraído julgar que pode acompanhar a refeição com um copinho de detergente, e eis que este frasquinho de sabonete-líquido adverte o viajante incauto para aquilo que ele não imaginaria: é favor não beber o detergente...

10/01/2011


A livraria Keibunsya, em Quioto (nº 9 da top list do "Guardian")



Vários comboios depois, cheguei finalmente à livraria Keibunsya, em Quioto, que a célebre lista do Guardian considerou uma das melhores livrarias do mundo (e de onde também faz parte a portuense Lello e a bruxelense Posada). A primeira causa de espanto é como é que alguém se lembrou desta livraria dado o "ultra-periferismo" de que padece. Convenhamos: não só Quioto não é ao virar da esquina como, ainda por cima, a Keibunsya fica longe do centro da cidade, fora de mão e no meio de uma área residencial relativamente desinteressante.

Mas talvez isso torne a Keibunsya ainda mais atractiva: porque é um oásis de claridade no que pode ser considerado, do ponto de vista urbano, como um bairro acinzentado. Porque desafia o isolamento e insiste em mostrar a força da criatividade onde ela se julgava não poder habitar. A Keibunsya não é apenas uma livraria: tem uma galeria onde expõe trabalhos de jovens artistas, tem uma "corner-shop" de design que recupera linguagens mais tradicionais e tem um mobiliário retro que transporta o visitante para calendários distantes.

Claro que este exercício do Guardian vale o que vale (pouco mais do que nada) e qualquer inclusão ou exclusão pode ser discutida à saciedade. O Lonely Planet acaba de fazer também a sua lista do top-10 onde a Keibunsya não consta (mas de onde não se atreveram a tirar a Lello mesmo se a lista do LP é mais euro-cêntrica do que a do Guardian). Por mim confesso que não poria a Keibunsya na minha lista do top-10 mundial mas nem por isso a achei um lugar de peregrinação dispensável (sobretudo quando se anda por azimutes orientais).

É verdade que praticamente não tem livros a não ser em japonês mas um amante de livros - e de livrarias - sabe que isso é pouco relevante quando o objectivo é menos comprar livros e mais sentir o cheiro do pó que assenta, magnânime, em páginas para cujas palavras não chega a olhar.




18/10/2010


TRIP TO WONDERFUL KYOTO

Kyoto has been the imperial capital of Japan for more than a 1000 years, until 1868, when the flashing lights of Tokyo seemed to be more appropriate for a new and open Japan. The city in itself is not amazing but it has extraordinary spots where a preserved and natural charm from old times is still visible. Kyoto is the image of the classic Japan, from traditional wooden houses to the sacred shrines, from the Pontocho district to the walking geishas in narrow lanes along the Kamo-gawa (the river).

Beyond these gates, it is the imperial palace which I have not visited given I was not aware of the fact that one has to reserve the slot with several days in advance... I will be back then.



The tea-house of the Imperial Park - a secret well kept. It was empty, it is not mentioned in any guide. I found it by accident and it is a relaxing spot where silence and beauty meet for a while.



Nijo-jo castle, an amazing palace, built for the visitors and for the Shoguns. It was here that Emperor Meiji received the resignation of the last Shogun in 1867.




Ponto-Cho district, the geisha's area. They are still visible as one can see in the photo.





Kiyomizu-dera, the most beautiful temple in Kyoto and its defining sight. Dates back to 1633 and it is very well preserved.





12/10/2010

VIAGEM A OSAKA

No seguimento do jantar de trabalho em Osaka de que já aqui falei, aqui ficam algumas fotografias. Osaka é a 2ª cidade do Japão (se considerarmos que Yokohama é, no fundo, uma extensão da capital) e fica a 550 quilómetros de Tóquio. É uma cidade portuária e está em curso uma campanha internacional para relançar a imagem da cidade que atrai poucos visitantes. É considerada uma das "capitais" gastronómicas do Japão.

Aqui, o "Shinkansen", ou comboio-bala, que percorre em 2h30 a distância que separa Tóquio de Osaka:



Este painel de publicidade é considerado um ícone da cidade: (why...?)






O "edifício orgânico", um dos símbolos da cidade, do arquitecto italo-americano Gaetano Pesce. É património municipal. (Tiago Veloso: pensei em ti!)


O Castelo de Osaka. Dizem os críticos (ou os cínicos?) que é a única coisa que existe para ver em Osaka. Não é verdade, embora a cidade não tenha a riqueza histórica de Quioto e tenha sido bastante destruída com a guerra.




O pagode do templo de Shitenno-Ji e respectiva cerimónia religiosa budista.



04/10/2010

PORTUGAL: questão que tenho comigo mesmo
(de Lisboa a Osaka, passando por Luanda)



De Lisboa a Osaka são 11072 quilómetros de distância: há que vencer muitas montanhas, galgar muitas estepes, dobrar muitos bojadores. É por isso que olho com a surpresa dos puros para uma sala cheia de gente, em Osaka, a celebrar Portugal. Gente que me fala num português que me custa a entender (mas muito melhor do que será alguma vez o meu japonês); gente que bebe vinho do Dão; que me pergunta pela Expo98; que cita Camões e Pe. António Vieira; que cantarola Amália e grita "Viva o fado" (não ousei dizer que a senhora já não está entre nós); que esteve na festa da Quinta Patino; que importa bananas da Madeira e vinho do Douro; que dedilha "Barco Negro", "Coimbra" e "Verdes Anos"; que esteve em 'guimaranães' (sic).

Neste azimute improvável para a exegese da portugalidade, lembrei-me de Luanda, duma noite de fados na Ilha, em que alguém dizia, tombado pela noite e pelo tinto: "Até se vê Cacilhas do lado de lá!". Juro que dum canto da janela do restaurante Ambrosia, em Osaka, também se via a mátria. Estou como o O'Neill: Portugal é uma questão que tenho comigo mesmo.